Medida afetaria exportação do Brasil, mas AEB saúda pressão menor no câmbio
Os preços do minério de ferro no mercado à vista recuaram para US$ 163 a tonelada nesta terça-feira. No entanto, apesar da importância dessa commodity para a balança comercial brasileira, o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, observa que, às vezes, "há males que vêm para o bem".
Segundo Castro, no primeiro momento o Japão deve importar menos minério e muito mais aço: "O problema do Japão hoje é energia. Neste momento há racionamento, com a maioria das fábricas paradas. Se continuar importando matérias-primas, como minério, não haverá energia para produzir. Além disso, muitos portos foram afetados. Entre utilizar minério e aço, é mais fácil aço", diz, reconhecendo que a maior parte da importação deve ser suprida pela China, ressalvando, porém, que "parte pode sair do Brasil".
Para ele, neste primeiro momento não está afastada a possibilidade de um déficit comercial no Brasil. "Mas isso teria o lado positivo de valorizar um pouco o dólar, o que seria bom para os exportadores", pondera.
Para Vitor Hugo Klagsbrunn, da Universidade Federal Fluminense (UFF), com os japoneses montando aparelhos da China para baratear a produção, poderão faltar as partes feitas no Japão, já que a produção geral do país vai cair bastante. "A Sony fechou dez fábricas e a Toyota 12. Mas, com a retomada, creio que recuperação do Brasil será mais rápida que a média mundial, inclusive por causa da demanda japonesa por aço."
Ele considera, porém, que a crise no Japão vai apenas diminuir temporariamente o ritmo de recuperação mundial: "A recuperação está lenta mas é constante em Europa e EUA. O Brasil sofrerá apenas pelo lado das commodities, mas as exportações de aço podem até melhorar no médio prazo."
15 de março de 2011 em Monitor Mercantil Digital
Nenhum comentário:
Postar um comentário