
SÃO PAULO – Apesar do aumento da produção de veículos no mês passado, as exportações registraram queda no período. E um dos motivos para esse cenário é a crescente valorização do real frente ao dólar, acredita o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Cledorvino Belini.
“Com a moeda nacional cada vez mais forte, a produção de manufaturados está sendo prejudicada”, explicou Belini, de acordo com a Agência AutoInforme. “Há perda de competitividade e seremos obrigados a encontrar soluções rápidas para manter a estabilidade em toda a cadeia produtiva”, completou.
De acordo com dados da associação, a produção de veículos registrou aumento de 12,7% frente a setembro do ano passado. Entre janeiro e setembro deste ano, o aumento da produção de veículos ficou em 17,3%. No mês passado, na comparação com agosto, contudo, houve queda, de 9,1%, na produção de veículos.
Já as exportações registraram queda em setembro, na comparação com agosto.
Espaço para importados
Segundo Belini, as preocupações de indústria automobilística voltam-se para o câmbio. Para ele, com a valorização do real frente ao dólar, em queda, o espaço para os importados cresce. A participação dos importados no total dos veículos licenciados vem crescendo desde março deste ano.
Para se ter uma ideia, segundo os dados da Anfavea, em março, 16,4% dos veículos licenciados eram importados. Em setembro, esse número passou para 18,7%. No acumulado do ano os importados já representam parcela maior que a registrada em todo o ano passado.
Em 2009, 15,6% dos veículos licenciados eram importados – número maior que o de 2008, quando 13,3% dos veículos eram importados. Neste ano, de janeiro a setembro, a associação já contabiliza que 13,3% dos licenciados são importados.
E se o licenciamento de veículos nacionais caiu em setembro, frente a agosto e ao mesmo mês do ano passado, o de importados só cresceu. Na comparação com agosto, o aumento foi de 0,5% contra a queda de 2,4% nos licenciamentos dos nacionais.
Frente a setembro de 2009, o licenciamento dos importados cresceu 24,8%, ao passo que o de nacionais registrou queda de 5% no mesmo período.
Para o presidente da Anfavea, o câmbio atual fez com que o Brasil se tornasse alvo para os estrangeiros. “Precisamos analisar esse fato com profundidade e encontrar uma solução de equilíbrio”, reforça Belini, de acordo com a Agência AutoInforme.
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